Assistindo à recepção que o mundo vem oferecendo ao Presidente do Brasil do Brasil Jair Bolsonaro é impossível não lembrar da frase de Rui Barbosa que diz: “De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.

Podemos fazer, apenas, uma pequena alteração no final da frase, para torna-la mais atual, e ao invés de dizer “ter vergonha de ser honesto” podemos dizer “ter vergonha de ser brasileiro”. Sabe por quê? Porque esse é justamente o sentimento que nos invade. “Pária do mundo” é um modo de tratamento pelo qual nós, cidadãs e cidadãos brasileiros, jamais esperávamos estar relacionado ao nosso Presidente da República.

Bolsonaro perdeu o seu lugar na história. Durante a última reunião do G20 ele foi escanteado pelos Chefes de Estado. Tratado como um vírus do qual ninguém queria chegar perto, tanto é, que algumas autoridades se recusaram até a apertar a sua mão. Bolsonaro foi considerado “persona non grata” ao passeio feito pelos membros da cúpula à Fontana de Trevi, uma das fontes mais famosas do mundo, onde os turistas que a visitam jogam uma moeda com as costas voltadas para a fonte, para, assim, segundo a tradição, poderem voltar à cidade. Isso nos leva a pensar que Roma, assim como o mundo, não quer mais ver a cara de Bolsonaro novamente.

Por sua insofismável incompetência também deixou de participar da COP-26, conferência das partes sobre mudança climática da ONU. Só para lembrar, esse evento teve sua origem no Brasil. Quem não se lembra da ECO 92? Pois é, nosso chefe de Estado não quis dar o ar de sua desgraça. Gravou um vídeo com uma fala para substituí-lo. E o que aconteceu? O vídeo foi proibido de ser veiculado, pois o evento era totalmente presencial?

O isolamento imposto a Bolsonaro pelos maiores Chefes de Estado do mundo me vez lembrar de um filme: “O Naufrago”. No filme, depois de sofrer uma acidente de avião, Chuck Noland, personagem de Tom Hanks, se vê sozinho em uma ilha. Sem ninguém para se relacionar e temendo ficar louco ele pega uma bola de vôlei e a transforma em uma pessoa, a qual dá o nome de Wilson. Chega ao ponto de desenhar nela, com sangue, um rosto, para ficar mais verossímil. Em seu isolamento, começa, então, a tratar a bola como se fosse gente.

Mas, se você pensa que ao fazer a analogia do isolamento de Bolsonaro com o filme “O Naufrago” eu penso em Bolsonaro como Chuck Noland, o personagem principal, engana-se. Na minha concepção Bolsonaro é a bola. Bolsonaro é Wilson. Um objeto transformado em ser humano. Ele só existe para aquele que está isolado do mundo. Fora da realidade. Naufrago em uma ilha deserta cujo nome é: cercadinho.

Sintese: somos muitas, somos muitos, somos fortes.