Em ato de final de ano professores cobram rateio das sobras dos recursos da Educação

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“Temos que estar na rua, pois é na luta que as conquistas virão”, essa é a fala de Maria José Nascimento Filha, professora aposentada que mesmo aos 79 anos não abandona a luta e define o espírito dos professores e professoras da capital e do interior que estiveram no ato de final de ano do SINTESE que foi realizado em frente à SEAD – Secretaria de Estado da Administração.

O ato seria um balanço das lutas empreendidas pelo magistério durante o ano de 2021 e seria realizado na Praça General Valadão, mas a luta pelo rateio das sobras dos recursos da Educação fez com o ato fosse transferido para o prédio da SEAD.

O magistério da rede estadual e das redes municipais está em luta pelo rateio das sobras dos recursos da Educação (Fundeb e MDE).

“Há dinheiro e a lei diz que se há sobras ela precisa ser rateada entre os trabalhadores da Educação”, afirma a presidenta do SINTESE, Ivonete Cruz.

Cultura também é luta

O ato não foi somente em frente à secretaria, enquanto parte ficava do lado do fora, outro grupo ocupou o gabinete do secretário Dernival Neto. Enquanto aguardavam audiência, grupos culturais se apresentaram do lado de fora e também dentro do prédio.

Maculelê, Lavadeiras, Batucaê de Estância, Quadrilha Junina e Forró Pé de Serra de Monte Alegre, Parafuso do Lagasrto, Banda de Pífano de Campo do Brito, São Gonçalo, foram os grupos culturais que trouxeram a cultura sergipana para o ato de final do ano do SINTESE.

“Já é tradição trazermos manifestações culturais para os nossos atos, pois a Cultura também é uma parte da luta da classe trabalhadora”, disse o vice-presidente do SINTESE, Roberto Silva dos Santos.

Rateio das sobras dos recursos

Em 14 de dezembro, o SINTESE apresentou em entrevista coletiva os dados do SIOPE mostrando que até o 5º bimestre (outubro), havia sobra de recursos da Educação na rede estadual que ultrapassavam a casa dos R$346 milhões. Desde então o sindicato tem buscado marcar audiências com o governo do Estado e com as prefeituras a forma como rateio será feito.

No dia 21 houve um ato em frente ao Palácio de Despachos e o governador informou que essa tratativa seria com a SEAD. Por isso o sindicato levou o ato para a porta da secretaria, para dialogar com o secretário de Administração.

No final da manhã a presidenta e o vice-presidente foram recebidos pelo secretário Dernival Neto. Foram discutidas algumas soluções para o rateio e em contato telefônico com o governador Belivaldo Chagas ele informou a professora Ivonete Cruz que “fará o que a Procuradoria Geral do Estado disser para ele fazer”.

Com isso, no próximo dia 10 de janeiro, o SINTESE se reúne com a mesa de negociação para tratar não somente do rateio dos recursos, mas também da recuperação da carreira.

Ainda há dados a serem contabilizados, pois o prazo legal para que o Estado e os municípios informem a situação financeira do 6º bimestre é dia 31 de janeiro, então a luta pelo rateio das sobras dos recursos da Educação irá continuar.

“Foi uma manhã de muita luta em que fomos exigir o que nos é direito. O rateio das sobras dos recursos da Educação é lei e nossa luta é para que ela seja cumprida”, disse Ivonete.