Bolsonaro tenta surfar em reajuste que sabotou até o fim

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Até o reino mineral sabe, como se diz por aí, que a mentira entrará para a história como uma das marcas permanentes do governo Bolsonaro. Ainda assim, a extensão da cara de pau não cansa de surpreender.

O exemplo mais recente, ao menos até as 17h57 desta hoje (4), quando entreguei meu texto a Ecoa, é o reajuste no piso nacional do magistério. Ao oficializar o aumento, Bolsonaro disse que “decidiu” pelo índice de 33%, mesma lorota transmitida em cadeia nacional pelo Ministro da Educação, Milton Ribeiro, na terça-feira.

O pastor presbiteriano que ocupa o topo do MEC fez ventriloquia do chefe ao afirmar que o governo federal “optou por conceder o critério máximo de reajuste” que beneficiará mais de 1,7 milhão de professores.

“Decidiu”, nada. “Optou”, menos ainda. O indexador é estipulado pela lei do piso do magistério, de 2008 — no caso, o mesmo percentual de crescimento do valor anual investido por aluno no Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb).

Até onde se sabe, um cidadão, mesmo que seja o presidente, não pode “decidir” ou “optar” cumprir a lei. Ele tem o dever de fazê-lo.

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(UOL, Rodrigo Ratier, 4/02/2022)