Governo mantém desconto de 14% no salário da maioria dos servidores aposentados

453

Por Iracema Corso – CUT/SE

Com apoio da maior parte dos deputados estaduais, Belivaldo continuará a retirar 14% da remuneração dos servidores públicos aposentados do Estado de Sergipe que recebem mais de 2 salários mínimos

O Governo do Estado vai continuar confiscando 14% do salário de servidoras e servidores públicos aposentados com remuneração acima de 2 salários mínimos graças à aprovação do Projeto de Lei Complementar 08/2022 que aconteceu na manhã desta quinta-feira, dia 31 de março, na Assembleia Legislativa de Sergipe. 

Ignorando as vozes das professoras idosas em protesto, dos dirigentes sindicais do SINDIJUS (Judiciário) e do SINTESE (Professores), a maioria dos deputados estaduais de Sergipe aprovou o PLC 08/2022 aumentando a indignação das milhares de famílias de aposentados de Sergipe que tinham a esperança de se livrar da mordida mensal de 14% em sua remuneração.

Desde a aprovação da Reforma da Previdência Estadual, o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT Sergipe), Roberto Silva critica a covardia praticada contra aposentadas e aposentados do Estado. O presidente da CUT Sergipe afirmou que o PLC 08/2022 é mais uma prova de que o Governo de Sergipe tem recurso suficiente para pagar dignamente a aposentadoria dos servidores sem nenhum desconto, mas não o faz porque não quer.

“É um Governo que prefere massacrar aposentados. É perverso, odeia e despreza os servidores públicos aposentados e suas famílias. Temos estudos do DIEESE que provam: nada justifica este desconto a não ser a vontade política do governador”, afirmou Roberto. Acesse link e confira o estudo do DIEESE publicado no site do SINTESE.

Um dia antes da votação, a CUT encaminhou ofício a todos os deputados estaduais de Sergipe solicitando que apresentassem emendas ao PLC 08/2022 para a isenção de contribuição previdenciária a todos os servidores aposentados que recebem proventos abaixo do teto de previdência (R$ 7.087). O deputado Iran Barbosa apresentou uma emenda em defesa dessa reivindicação histórica da CUT e dos sindicatos que defendem o direito dos aposentados à remuneração sem cortes, no entanto, entre os 24 deputados estaduais, os únicos que apoiaram a emenda e, consequentemente, os servidores aposentados foram João Marcelo, Dr. Samuel Carvalho, Georgeo Passos, Gilmar Carvalho e Maria Mendonça.

A LUTA CONTINUA

A coordenadora geral do SINDIJUS (Judiciário), Sara do Ó, afirmou que é preciso reunir forças para fazer o enfrentamento contra o governo Belivaldo.

“É um absurdo, o Estado com os cofres transbordando de recurso e o Governo Belivaldo continua a retirar dos aposentados. Isso é uma covardia sem tamanho. Precisamos fazer com urgência uma mobilização para conter essa sangria. O governador insiste em sacrificar cada contracheque dos idosos. Ele, aliado aos deputados, fazem esta política impiedosa, covarde e mesquinha contra tantas pessoas que estão no final da vida e precisam de cuidados, remédios… É inacreditável e precisamos encontrar forças para fazer este enfretamento”, afirmou Sara do Ó.

A presidenta do SINTESE, Ivonete Cruz, cobrou respeito e consideração aos professores e servidores públicos aposentados. “O SINTESE tem uma luta cotidiana em defesa da revogação imediata desta injustiça do Governo Belivaldo contra os aposentados. Na semana passada foi criado um palco de guerra policialesca, e foi aprovado para os professores aposentados, um reajuste de 10,16% que não cobre nem os 14% que vem sendo descontado dos nossos proventos. Governador, tenha juízo. Pense no que isso significa na vida de milhares de aposentados sergipanos e envie uma emenda revogando o desconto de 14% nas aposentadorias já”, cobrou Ivonete.

Diante de mais uma derrota imposta aos servidores públicos aposentados pelo governo Belivaldo, com o apoio da maioria dos deputados estaduais eleitos, a CUT e seus sindicatos filiados continuarão lutando contra o desconto de 14% na remuneração de aposentados que recebem mais de 2 salários mínimos, por considerar esta medida ilegal, injusta e cruel por massacrar aquelas e aqueles que já trabalharam e contribuíram a vida toda para a previdência.