Governo do Estado quer fechar escola quilombola e entregar prédio para município

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Um espaço de memórias, de afeto, de ancestralidade, de aprender e de ensinar. Assim é a Escola Estadual Mestre Sales para a comunidade do povo Mussuca, em Laranjeiras. Uma escola quilombola, que a mais de 40 anos faz parte das histórias das famílias daquela região, educando crianças do 1º ano ao 5º ano do ensino fundamental.

Mas nem a história ou o afeto da comunidade são suficientes para o Governo do Estado, que por meio da Secretaria de Estado da Educação, do Esporte e da Cultura (Seduc), quer entregar o prédio da unidade de ensino ao município de Laranjeiras. Tudo seguindo a mesma cartilha que a Seduc tem adotado ao longo dos últimos anos: sem diálogo e sem ouvir os maiores interessados, a comunidade escolar.

A ideia é que o prédio passe a abrigar uma creche do município e com isso as crianças que hoje estudam na Escola Estadual Mestre Sales teriam que sair da unidade de ensino e se matricular em uma outra escola da prefeitura.

Além do descaso com a comunidade escolar, o que também chama atenção nesta situação é já existe um prédio da creche, que pertence ao município. O problema é que o mesmo precisa passar por uma ampla reforma, mas a prefeitura de Laranjeiras prefere receber um prédio de ‘mão beijada’ do Governo do Estado, a cumprir com sua obrigação de assegurar condições adequadas e reforma para o prédio da creche do municipal

 A verdade é que o município “ganha” duas vezes neste caso. A primeira: é ter um prédio novo a sua disposição. A segunda: é com a ida das crianças que hoje estudam na Escola Estadual Mestre Sales para escolas do município.

Vale ressaltar que os recursos do FUNDEB estão diretamente relacionados ao número de estudantes matriculados na rede. Ou seja, quanto mais estudantes mais recursos.

Para os professores e professoras que hoje lecionam na Escola Estadual Mestre Sales a situação os coloca em um futuro de incertezas, uma vez que os mesmos serão transferidos para outras unidades de ensino da rede estadual, que não necessariamente fiquem situadas em Laranjeiras

A verdade é que nessa tratativa o que menos importa para a Seduc ou para a prefeitura de Laranjeiras é a memória, a voz ou a vontade da comunidade escolar.

A convite da comunidade escolar, dirigentes do SINTESE estiveram na Escola Estadual Mestre Sales. A presidenta do SINTESE, professora Ivonete Cruz, ouviu as demandas da comunidade e se comprometeu a enviar ofício a Seduc solicitando audiência.

“A Seduc não buscou ouvir o que mães, pais, professores e funcionários da escola têm a dizer. Com esta política do ‘passar por cima’ a Seduc ignora frontalmente a importância deste espaço para a história desta comunidade. Para as mães e pais que têm filhos matriculados aqui, fechar a Escola Mestre Sales representa apagar parte da memória da população quilombola da Mussuca, isso é muito grave. O SINTESE vai encaminhar ofício a Secretaria de Estado da Educação solicitando audiência o quanto antes para debatermos a situação”, coloca a presidenta do SINTESE